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Pais, mães, filhos e filhas de santo participaram da tradicional Procissão dos Orixás para celebrar os 409 anos de São Luís

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Na quarta-feira (08), mantendo a tradição, os tambores rufaram.

O vereador Astro de Ogum e a Fucabma à frente do evento que integra a programação oficial da Prefeitura de São Luís.

O avanço na vacinação no combate a pandemia do Covid 19 na capital maranhense, permitiu que na quarta-feira (08), diferentemente de 2020, São Luís comemorasse os seus 409 anos de fundação.

Em uma data tão importante, como vem fazendo há décadas, o vereador Astro de Ogum(PCdoB), decano na Câmara Municipal de São Luís com seis mandatos ininterruptos, e que também é pai de santo, assegura os meios necessários para que a Federação de Umbanda e Culto Afro Brasileiro do Maranhão – Fucabma – presidida por Biné Gomes, realize mais uma edição da tradicional Procissão dos Orixás.

O evento cultural religioso reúne pessoas ligados de alguma forma a cultura negra, ou pela convivência e práticas religiosas ou pelo estudo em variados campos do conhecimento, tais como história, sociologia, antropologia, turismo e cultura de modo geral.

Neste dia, seguindo todos os protocolos sanitários, pais, mães, filhos e filhas de santo  percorreram as ruas seculares, homenageando além de São Luís, Dom Luís Rei de França, entidade que se inspira no rei que deu nome à capital maranhense, e Nossa Senhora da Vitória, padroeira da cidade.

A concentração ocorreu em frente ao Palácio La Ravardiere, sede da Prefeitura, de onde saiu e seguiu percorrendo as ruas do centro histórico com destino a igreja do Desterro.

Com o apoio da Prefeitura de São Luís, o evento integra o calendário das atividades em comemoração ao aniversário da cidade.

EMENDA PARLAMENTAR

A Procissão dos Orixás tem sido vista nos últimos anos como uma ferramenta de identificação dos descendentes dos povos negros que ajudaram a construir o Brasil e a cidade de São Luís que ao longos de seus mais de quatro séculos tem se tornado referência ao culto afro no Brasil.

O encontro dos adeptos da religião de matriz africana acontece há mais de meio século e é vivenciado também por turistas, professores, pesquisadores e estudantes.

A cerimônia finaliza com uma salva de tambor na porta da igreja demonstrando o avanço sincrético entre as religiões.

Incorporada ao calendário das festividades que celebram o aniversário da cidade, em 2000, desde que assumiu uma das cadeiras no parlamento ludovicense, a realização da procissão pela Fucubma vem acontecendo com a ajuda do edil, que é patrono de honra da entidade, que em outrora foi presidida por ele.

Este ano o projeto para liberação da emenda parlamentar foi apresentado, mas em razão dos tramites administrativos, o pagamento para execução não foi feito em tempo hábil, devendo ocorrer posteriormente

“Corremos contra o tempo, mas mesmo assim agradeço o empenho dos técnicos e do próprio prefeito Eduardo Braide em liberar a minha emenda parlamentar, contudo a importância da data para nossa religião nos impõe manter o evento, que já não foi feito no ano passado por conta da pandemia. Com a graça de Deus e dos guias de luz temos credibilidade suficiente junto aos fornecedores e todos os organizadores. A tradição precisa ser mantida”, disse Astro.

FORÇA DO CULTO AFRO-
Conhecida também como terra da encantaria, São Luís é uma das capitais do Brasil onde o culto às religiões de matriz africana é bastante forte e tem sido objeto de estudo de pesquisadores do mundo, que procuram entender este fenômeno tanto na Ilha quanto em outras cidades do interior.

Para quem não sabe ou não entende muito “encantaria”, é uma forma de manifestação espiritual e religiosa afro-ameríndia praticada sobretudo no Piauí, Bahia, Maranhão e Pará. Pode estar associada a diversas religiões presentes nesses estados, como a Pajelança ou Cura, o Terecô (Mata ou Encantaria de Maria Bárbara Soeira), o Babaçuê e o Tambor de Mina.

Diferente da Umbanda, na qual as entidades são espíritos de índios, escravos, etc, que desencarnaram e hoje trabalham individualmente (geralmente usando nomes fictícios), na Encantaria, os encantados não são necessariamente de origem afro-brasileira e não morreram, e sim, se “encantaram”, ou seja, desapareceram misteriosamente, tornaram-se invisíveis ou se transformaram em um animal, planta, pedra, ou até mesmo em seres mitológicos e do folclore brasileiro como sereias, botos e curupiras.

Na Encantaria, as entidades estão agrupados em famílias e possuem nome, sobrenome e geralmente sabem contar a sua história de quando viveram na terra antes de se encantarem. Encantaria também pode se referir aos lugares onde tais entidades vivem.

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