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No mês da consciência negra, clã Corrêa Lima celebra recorde na advocacia maranhense

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No domingo(20) estaremos celebrando o dia da consciência negra. A data, que é atribuída à morte de Zumbi dos Palmares, em 1965, um dos maiores líderes negros do Brasil, é dedicada à reflexão sobre a inserção da raça negra na sociedade.

No Maranhão, tal feito pode ser exemplificado pelo clã Corrêa Lima, representado por Anacleto Pereira Corrêa Lima. “Embora não seja uma missão fácil, diante da sociedade injusta e desigual em que estamos inseridos, o negro pode ocupar lugar de destaque”, disse.

Tendo como referência o avô Itamar Corrêa Lima e a mãe, a jornalista e também advogada Itamargarethe Corrêa Lima, o jovem
é o nono unido pela consanguinidade, que teve deferido e participou do termo de compromisso na sede da seccional maranhense, no Calhau.

À solenidade terminou ainda pouco e contou com a presença da diretoria, representada na pessoa do presidente Kaio Saraiva, 50 novos advogados e seus respectivos familiares.

Aqui fechamos uma etapa e iniciamos outra. Mesmo sentindo a ausência física da minha vozinha, Zulmira Domingas Pereira Corrêa Lima, uma das milhares de vítimas que perdemos para COVID-19 em 2020, mas com a certeza dela zelar por mim de onde quer que esteja, divido essa vitória com meus familiares, com ênfase ao meu avô e minha mãe “, afirmou o Dr. Anacleto.

Aos 85 anos, dos quais 53 dedicados ao exercício da advocacia, sem esconder o sentimento de gratidão, o patriarca se fez presente ao evento. “ Somos o interruptor da Democracia no País. Enquanto operadores do direito, é nossa à missão de barrar os excessos e arbítrios dos agentes públicos, independente da esfera de poder. Hoje, presenciar mais um neto abraçando com amor a carreira jurídica, além de gratidão, tenho a certeza que o caminho escolhido foi à opção mais acertada na minha vida”, asseverou.

ORIGEM DO PATRIARCADO:
Abandonado pela mãe aos seis meses de idade, o filho de Severo Corrêa Lima, motorista do Palácio dos Leões no governo de Sebastião Archer, foi criado por 13 madrastas.

A infância e adolescência conturbadas foram à combustão propulsora para alimentar a vontade de vencer que, somada a determinação de garantir aos descendentes um futuro diferente, feito alçado com primazia, fez com que o aluno do Liceu Maranhense tivesse a certeza que somente através da educação conquistaria um lugar de destaque em uma sociedade imperialista e escravocrata.

O resultado não poderia ser diferente. Em 1964, Itamar Corrêa Lima foi aprovado para o curso de Direito. O ex- presidente do Centro Acadêmico da antiga Faculdade de Direito, na Rua do Sol – é citado como exemplo pelos grandes profissionais que desbravaram e lutaram para fortalecer a profissão no Estado.

LEMBRANÇAS DA DITADURA –
Dono de um legado moral robusto, na trajetória pessoal, o ex-escrivão da Polícia Federal, ex- delegado da Polícia Civil, ex-conselheiro da seccional maranhense nas gestões dos colegas Raimundo Marques e Caldas Góis, que foi aprovado nos concursos de auditor do Ministério do Trabalho e Juiz estadual, mas por problemas familiares abriu mão de ambas às nomeações, tem uma passagem em especial que enche de orgulho filhos e netos.

“O saber jurídico, o caráter, a coragem e determinação são atributos inconfundíveis. Acompanhei a narrativa de muitos fatos, porém enquanto filha, dois me enchem de orgulho. Ambos os episódios tem haver com a Ditadura Militar, período difícil na história do Brasil. O primeiro em 1968, como presidente do Centro Acadêmico, ele foi preso e retirado da sala de aula, apontado pela polícia repressora, como líder dos movimentos que eclodiram em todo o País, inclusive na capital maranhense, para protestar o assassinato do estudante secundarista Edson Luís de Lima Souto, ocorrida dentro do restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro. O segundo, já na condição de delegado da Polícia Civil, a prisão de um professor da Universidade Federal do Maranhão e filho de um general carioca das Forças Armadas, na década de 70, auge do período ditatorial, que bêbado e dirigindo um troller pela Avenida Kennedy, ao ser abordado após uma colisão, chamou de macaco o então titular das Delegacias de Acidente de Trânsito e segundo distrito”, lembrou a jornalista Itamargarethe.

Ainda exercendo a advocacia apenas, na condição de consultor jurídico da prole, além de Itamargarethe e Anacleto, também são inscritos na seccional maranhense os filhos Itamary, Itamauro e Itamarcia e, ainda, os netos Italanna, Paulo Filho e Raissa, sem contar com outros dois filhos e um neto que são bacharéis e logo logo estarão seguindo os passos dos demais Corrêa Lima.

Família Corrêa Lima

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