Início POLÍTICA Como influencers devem se posicionar sobre política?

Como influencers devem se posicionar sobre política?

35
0

Especialistas de agências explicam a importância de falar sobre democracia de maneira responsável durante o período eleitoral

Posicionar-se nas redes sociais pode tanto alavancar quanto cancelar o influenciador, independentemente do nicho em que ele atua.

Entretanto, estudar e entender sobre o assunto antes de publicá-lo pode ser uma boa estratégia para falar do tema com propriedade e evitar uma avalanche de críticas nas redes sociais.

Neste ano, marcado pelo período eleitoral, muitos influenciadores optam por se posicionar ou ficarem recolhidos em relação ao tema. Neste mês, por exemplo, Anitta declarou apoio ao ex-presidente Lula.

Nas redes sociais, a cantora escreveu: “Minha escolha nessas eleições foi trazer engajamento e mídia para a pessoa que tem maior chances de vencer o ‘Voldemort’”. O nome é uma referência ao principal antagonista da série de livros de Harry Potter e apelido adotado por Anitta para se referir a Bolsonaro.

A ação gerou uma onda de elogios, mas também comentários críticos à cantora. Dessa forma, para entender como as agências orientam os creators e os famosos sobre a temática, o Metrópoles entrevistou especialistas que atendem a influenciadores.

De acordo com Isabela Soller, CEO do Grupo Soller Assessoria, a orientação da empresa é ter uma comunicação constante e íntima com os influencers, justamente por conhecer exatamente o perfil de comunicação que eles utilizam nas redes, como os politicamente mais ativos e os que quase nunca abordam o tema.

Quando fazemos qualquer contrato com marcas que exigem o não posicionamento, já conversamos previamente. E, em algumas circunstâncias até declinamos. No caso de firmarmos um contrato que exista cláusula nesse sentido, antes de tudo, conversamos e instruímos o creator. Também entendemos se para ele esse contrato faz sentido, evitando desgastes futuros em relação a essas questões”

Isabela Soller, CEO do Grupo Soller Assessoria
visão da executiva, os creators podem e devem se posicionar, porém somente aqueles que se interessam constantemente pelo assunto e que estudam bastante. Ela avalia também que não faz sentido se posicionar a respeito de algo que desconhecem.

“Isso vale para todo e qualquer assunto. Quando se trata de política, por exemplo, caso o creator não esteja sempre antenado, a minha visão é que não deva se posicionar só por ser ano eleitoral ou por solicitações de audiência. Deve ser algo genuíno e com bastante conhecimento de caso”.

Mari Campos, diretora artística da Mynd, concorda. Segundo ela, a orientação é que os influenciadores devem tomar cuidado com menções ou comentários que possam prejudicar a imagem deles.

“Há uma lista comum de comentários proibidos, como os que incitam a violência e crimes que discriminem qualquer ser humano”, explica ela, complementando que existem assuntos importantes na internet em que os influenciadores precisam estudar e saber que certas falas não são toleradas.

“Um exemplo disso é citar um pronome errado de uma pessoa trans ou falar uma expressão incorreta. O impacto do que é falado e abordado diariamente nas redes sociais é algo grandioso sobre o qual os criadores precisam ter consciência”, pontua.

No entanto, na Mynd os agenciados têm total liberdade para apresentar o que eles acreditam nas redes sociais. Além disso, na agência de Marketing de Influência não existe uma linha de limitar uma posição política ou o direito de expressão sobre qualquer assunto.

“A nossa orientação é que eles se apresentem cada vez mais fortes nas redes sociais como pessoas que têm opinião, senso crítico e que levantam pautas sociais, políticas e econômicas, que podem transformar a consciência da nossa sociedade”. Mari Campos, diretora Artística da MyndInfluencer

Em entrevista ao Metrópoles, a ex-BBB Franciele Grossi afirma que é muito importante que os influenciadores saibam usar o engajamento para fazer algo de positivo para a sociedade.

“Neste momento que estamos vivendo, onde há tanto confronto entre quem pensa diferente, acredito que saber se posicionar de forma consciente com o propósito de proporcionar algo de bom ao próximo é o melhor caminho diante do atual cenário político”, destaca a participante da 14ª edição do reality show.

A ex-confinada lembra que, quando precisou se posicionar a respeito de assuntos políticos, buscou canalizar as energias dela em outras coisas para não ser afetada.

“Sempre há uma cobrança pelas pessoas nas redes sociais quanto a isso e uma repercussão negativa independentemente da opinião que você expresse. As pessoas querem sempre ouvir de você o que elas esperam, e quando isso não acontece, elas acabam atacando você”, compartilha Grossi.

Ela vê que a orientação de influencers por parte das agências é algo bastante positivo, principalmente para quem está ingressando agora na carreira como influenciador. Além disso, a ex-sister ressalta que é necessário ter sempre muito cuidado com o que se fala na internet.

Eleições 2022
Influenciadores são formadores de opinião justamente por serem quem são. “Grande parte deles usa as redes para dividir sobre o lifestyle que vivem”, enfatiza Isabela Soller.

A diretora artística da Mynd explica que, em período eleitoral, também é importante que eles coloquem o seu ponto de vista e falem sobre pautas como a importância do voto, além de estimular discussões sobre como escolher os melhores candidatos.

“Ter essa abertura de diálogo e exercer a democracia nas redes sociais é fundamental para construirmos uma sociedade mais instruída politicamente”, finaliza Mari.

https://www.metropoles.com/colunas/m-buzz/como-influencers-devem-se-posicionar-sobre-politica

Artigo anteriorPolícia do Rio pede informações sobre foragidos após golpe milionário
Próximo artigoFortuna de R$ 100 milhões: quem é o candidato a presidente mais rico
Jornalismo Faculdade Estácio MA Especialistas em Marketing Digital RP -19-03MA Blogueira por paixão

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui